domingo, abril 30, 2006

Apelo à União e à razão de ser Maquinista



Lisboa, 25 de Abril de 2006



Carta Aberta à Carreira

Apelo à União e à razão de ser Maquinista




Companheiros,


Numa altura em que a sociedade atravessa uma fase conturbada, social, económica e atrever-me-ia a dizer, que também sócio-culturalmente, penso que o diálogo entre nós não deve ficar apenas pelas intenções mas principalmente pela vontade e determinação em agir.
Na nossa carreira profissional, que é hoje o nosso desafio social e económico mas também pessoal, é imperioso tomar uma posição e de uma vez por todas, alicerçar o nosso futuro.
Não basta ter uma opinião, porque todos a têm, mas sim que essa opinião seja geradora de consensos e de coesão entre todos nós.
Hoje, poderá ser o princípio de uma era.
Melhor ou pior.
Não sei.
O que sei, é que isso de certeza depende de nós.
O espaço que hoje ocupamos na sociedade é de relevância maior.


Não podemos deixar que sucedam novas Expo’98 ou outros acordos com características menos boas para a Carreira, sabendo que a conjuntura política, apoiada por códigos de trabalho esforçados na retirada de direitos dos trabalhadores, nos limitem na busca digna daquilo que hoje são garantias e direitos adquiridos.
Não devemos, não podemos e não queremos seguramente, “espadaúdas” questões sociais, mas não devemos, não podemos e não queremos seguramente continuar num plano secundário de revindicações.

Devemos, podemos e queremos agir com base numa posição geral e coesa, na busca de segurança, de maior poder de compra e não apenas na manutenção daquilo que temos.
Qualquer futuro é assim.
Do País.
Da Sociedade.
A nossa Carreira, não pode e não deve ser diferente.
Somos profissionais. Temos formação. Temos família, somos Sociedade.

O crescimento de uma empresa como a nossa e a sua maturidade para enfrentar o futuro que se avizinha, passa indubitavelmente por nós e por todas as outras Carreiras. Não somos diferentes e não somos iguais. Somos Homens e Mulheres com deveres e direitos iguais. Para sair da crise é preciso acreditar que trabalhar é um meio de atingir um objectivo em comum. Para o País, para a Empresa e para todos nós.

Colaborar, não pode ser apenas uma figura de estilo. É preciso ser um facto entre ambas as partes. Diz o ditado popular que;”…não é com vinagre que se apanha moscas…”. Seguramente que não somos moscas e seguramente que não é vinagre a produção desta empresa!

A produção desta empresa é para a sociedade e uma sociedade bem amada é mais valiosa do que se for menosprezada.
Novas políticas sociais vão surgir em breve e de certeza que todos querem ficar bem nos objectivos. Nós somos parte integrante.
Para que isto aconteça, algo importante tem de ser renovado…

Respeito.
Respeito pelo trabalhador. Respeito pela profissão que desempenhamos. Em Portugal a esperança de vida tem aumentado. A dos maquinistas, nem por isso.
Profissão de desgaste rápido, uma batalha por travar.
Condições de segurança e higiene no trabalho não pode continuar a ser uma utopia, mas sim uma realidade.
Humanização das escalas de serviço onde o respeito pelo ser humano deverá ser uma mais valia. Todos temos de trabalhar, melhor trabalharemos se isso for reconhecido.


O nosso Sindicato tem sido ao longo do tempo uma referência para os ferroviários em geral e para a sociedade em particular.
Não podemos enquanto Carreira, esquecer a nossa força.
Sem coesão por parte da carreira na busca destes objectivos, sem unidade e sem sacrifício, não conseguiremos o respeito e sem isto, a carreira irá desmoronar e ser apenas uma profissão imobilista e destinada ao quero, posso e mando de uma sociedade de utilização e da demagogia interventora.
Não devemos individualizar. Não devemos cair nas ratoeiras do serviço de necessidade, mas o contido nas escalas. Trabalhar é um direito e um dever, mas o descanso e a família também. Não devemos olhar apenas para a possibilidade de ganhar horas com falta de repouso, mas sim olhar para o repouso como um direito do nosso dever. Respeitemo-nos.
Na hora do “correu mal”, corre mal para todos. Devemos temer a correcção do nosso profissionalismo e a coerência das nossas capacidades e não a incoerência das pressões.
Só assim chegaremos ao objectivo.
E qual é o objectivo companheiro?
E o teu? E o teu? E o teu????
Que cada um de vós responda. Que cada um de vós procure nos objectivos da vossa vida pessoal e profissional.
Na nossa profissão, dificilmente podemos separar uma coisa da outra.
Elas completam-se.
Por isso, companheiros o nosso objectivo é o mesmo. Cada um escrevê-lo-à de forma diferente. Cada um intrepretá-lo-à de forma diferente.
União.
Conjuntura de esforços e vontades.
Respeito por cada um e por todos.
União…
Seja,

Rui Alexandre da Cruz Mendes
Maquinista-técnico/903732-6
Depósito de Tracção de Lisboa-Rossio
Delegado Sindical

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