terça-feira, novembro 28, 2006

-Não sei o quê...?


Um animal tão lindo.
Pena que esteja em vias de extinção.
Mesmo quando consegue algum protagonismo em programas como o Discovery ou o National Geografic, o "buraco do ozono" ou o aumento da população mundial precipita o seu desaparecimento.
A sua dignidade, o seu porte, o seu habitat e o seu modo de vida solitário é unico e por isso necessita de uma area grande para viver, de espaços de caça especificos.
Quando em cativeiro, a sua raça e o seu espirito orgulhoso, ficam debilitados.
Precisam de condições especificas, como a caça de que se alimenta, como as condições de floresta onde se insere e acima de tudo o respeito dos homens...

...não sei porquê, mas tudo isto, faz-me lembrar algo, não sei o quê?...

domingo, novembro 19, 2006

Tanto fumo...

Todas as criânças, gostam de comboios.
Têm uma magia única que como um imã, atrai os seus olhos inocentes.
O som que emanam como o fumo nas máquinas de antigamente, a vida que tal como ontem, hoje também transportam de e para as cidades. São unicos.
Como são unicos os homens e mulheres que os fazem rolar. Que deixam as suas vidas e das familias entregues ao compasso dos hórários dos dias e das noites. Hoje muito melhorou nessas vidas. Há trinta anos atrás os homens dos comboios conduziam-nos por amor e com sacrificio desse seu amor. Hoje como de uma morte anunciada, antecipam-se velórios e encomendam-se flores para o adeus...
Depois da revolução de Abril, todos acreditaram numa nova era e na evolução da sociedade portuguesa. Hoje, ouço demasiadas vezes, creio, o nome de Salazar, de ditaduras e mais grave ainda me parece, aqueles que viveram antes, referirem que, "nem antes era assim..."
Como maquinista dos tempos modernos, gostava de ver os comboios a serem um motor da sociedade portuguesa e com o reconhecimento da sociedade, porque se nós precisamos dela, também ela sendo parte integrante da vida dos comboios, depende do seu movimento e da evolução que se espera para o futuro...
Sinto contudo que mais uma vez o meu pais me vai estrangular em ilusões e descontentamentos.
Muitos esperam um TGV que irá modernizar o pais... Acho que é uma tonteria absurda. As infraestruturas de que dispomos estão subaproveitadas e cheias de "buracos" económicos e estruturais e agora vamos ter comboios rápidos a fazer serviço porta a porta...?!
Apostam na evolução estratégica, mas sem estratégia para o pais e para as pessoas. A classe trabalhadora, perde previlégios sociais todos os dias a bem da sociedade??!!!!
Como pois, pode uma sociedade ansiar evoluir se a esvaziam de objectivos. Se essa sociedade retira o direito de revindicar, se as instituições sindicais estão profanadas pelo poder politico e cada vez têm menos intervenção social, para onde vamos...?
Os maquinistas hoje lutam para não lhes retirarem o que em tempos lhes foi dado como um direito adquirido em função do seu trabalho, provavelmente amanhã, lutaram pelo trabalho como um direito...
Resta-me perguntar ao meu pais, na pessoa daqueles que o governam, que fazes por mim, que eu não tenha feito já por ti...
Resta-me lutar com o que ainda tenho, mesmo sabendo que são parcas as possibilidades de me ouvirem.
Espero que as criânças continuem a gostar de comboios, porque os comboios cada vez gostam menos delas.

O banco ficou vazio...


O meu, onde me sentava em divagações no fim de um dia como tantos outros, agora esses momentos acabaram.
Os outros aqueles onde a minha vida está amarrada, como a de tantos portugueses pseudo burgueses, com aspirações a serem felizes, esses estão cada vez mais cheias e anafados.
Sabe-se agora, como de tantas formas nos roubam. A nossa sociedade está viciada e corrupta, já o sabiamos, mas tanto...
As reformas que nos vão impondo a bem da evolução nacional e do bem-estar social, são de tal qualidade que a pobreza passou a ser um estatuto nacional, com direito a assento em um qualquer passeio, de uma qualquer rua, de uma qualquer cidade com um programa pólis que não tem fim anunciado.
Somos um pais à beira mar plantado com um clima espectacular que muitos camones procuram para relaxar das bombas que têm nos seus paises de origem e onde os dolares, libras e outras moedas marcam a diferença. Como nós somos um povo que sabe receber e que é grato com quem nos viola, somos como putas com um sorriso simpático.
Agora que corremos atrás da estabilidade económica, de pactos sociais, do equilibrio orçamental e de uma inflacção socialmente aceite pela nossa amiga comunidade europeia, sem a qual há muito seriamos uma provincia ibérica aceite por alguns politicos de bolsos fundos e quiça rotos, estamos cada vez mais pobres.
Os objectivos socias de um povo que antes acreditava em projectos para os filhos e para uma velhice calma, agora não tem futuro, não tem esperânça nem objectivos de vida. E saber que a isto alguns podem chamar de evolução social, sinceramente, é triste.
E este que é o meu pais e pelo qual tantos homens e mulheres têm entregue a vida as aspirações e até os filhos, faz agora que as minhas lágrimas se juntem num rio de lamentos que vão desaguar num mar de desilusões que antes foi de marinheiros afoitos e destemidos e que deram novos mundos ao mundo...
Choro e o meu banco está vazio...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Post Scriptum

Minha amiga, enviou-me uma mensagem pelas suas companheiras e disse-me para olhar sempre mais longe, até ao limite do horizonte sem perder a fé na minha vontade, mas que o fizesse á minha maneira e disse-me ainda;
"- não percas a esperânça, que é como as nozes, primeiro temos de as partir, mas depois do esforço, somos recompensados pois nos saberam muito melhor..."

À conversa com...

Olhos nos olhos, comteplavamo-nos como iguais. Não o eramos de todo. Contudo algo havia que nos igualava e colocava num mesmo patatamar. A minha amiga, tem uma tremenda ligeireza para guiar a sua vida. Num unico dia tem de constituir familia e fa-lo. Restam-lhe apenas dois de vida e tudo tem de ficar determinado, e fica. Quando voa, a sua forma aeródinamica permite que o faça de uma forma unica, com uma delicadeza tal que espanta e alucina, permite ver o mundo de uma perspectiva, também unica, tal como o seu próprio mundo: - unico.
Quando por momentos pára, como que por magia no cimo de um arbusto, a sua postura parece de reza, de oração, pausa breve de recolhimento e tudo recomeça, bruscamente.
Olhava para as minhas mãos, quando aconteceu.
Pousou de repente e ali ficou, talvez como eu observando aquela flor de algodão bravo, que o vento havia depositado em mim...
Falamos do Vento e do Sol, das sombras, da água do rio e da familia, dos amigos.
Do trabalho não quisemos conversar, não havia nada em comum, nessa área, eu tenho anos de vida para o fazer, ela apenas alguns dias, eu conduzo comboios, ela apenas cumpre o ritual da vida, coisa que eu não farei e ela sabe.
Bastou olhar os meus olhos e saber o que me deixa triste, vazio. Sabe que o trabalho me cansa, pelas horas mal dormidas, pelos outros que comigo trabalham e não parece, pessoas que se refugiam na sombra do seu destino, esperando que outros lutem por si, lutas remotas e longinquas, que se não espera, tragam mudanças, ideais desvanecidos pelo tempo e pelo ódio do ser... Não quissemos falar de trabalho, pois isso implicava que lhe explicasse como tudo funciona e tal coisa levaria outra vida e eu não sei se a encontrarei por cá mais tarde. Teria de lhe explicar o que são comboios e como se aplica o regulamento; vários, diga-se; o bloco orientavel que assusta por vezes; o que é um processo disciplinar, hoje seria mais facil de entender por haver tantos... enfim outra coisa como a clausula, uma amiga do peito, tive de lhe fazer perceber como era bom ser amigo do peito, e como está para breve a sua partida para o Além. Chorou. Chorámos. Ela quando entendeu o que é perder alguém e eu por já ter perdido...
Sem querer falar de trabalho, ainda lhe fiz entender que há outros colegas de profissão que conseguem estar pior do que eu, mesmo quando lhe expliquei que conseguiam ganhar mais, bom também trabalham mais horas por isso faz sentido, mas foi quando lhe falei de outros, ainda que já tendo passado por tudo isto, e nesta altura já conversavamos de outras coisas; que ela se revoltou e as lágrimas, como o rio que antes, juntos observávamos, transbordou... outros que já tendo passado por tudo isto, são hoje o nosso maior tormento e note-se que, o tormento não é sofrer mas pensar... pensar em tanto sem querer falar do nosso trabalho, criou silêncios que não desejavamos e foi quando o algodão bravo caiu da minha mão, que em sobressalto nos dissemos adeus, ela rápida se elevou nos ares e eu fiquei só, pensando como tinha sido bom partilhar aquele momento em que não pensei em nada mais, senão querer ser assim como a minha amiga libelinha, que conheci num dia de Outono depois que sai do trabalho...livre, só isso, livre.