segunda-feira, outubro 16, 2006

Contar uma historia...








Gostaria de deixar aqui uma história de verdade...
Uma história dos meus tempos de rapaz, quando era parte de um grupo, que um dia perderam um amigo, um companheiro, um irmão...
"...gostávamos de acampar. A vida ao ar livre era como um sedativo, uma droga, um modo de estar.
Enquanto adolescentes, ir acampar, era um modo de ser livre, fugir por momentos á custódia da familia, fumar, beber um bagaço, roubado lá em casa, enfim, crescer. De repente, quando tudo parecia tão simples, tão divertido, tão aventureiro, o inesperado aconteceu, um amigo, um companheiro, um irmão, morreu.
A morte chegou do nada, sem avisar, sem um sinal. Do meio da brincadeira, a tragédia estava ali, como fazendo parte da brincadeira, como mais uma gargalhada, que ali se desfez, como as ondas que rebentavam na areia...
Uma parte de nós ficou ali, naquela noite. As lágrimas juntaram-se ás gargalhadas que demos mais tarde enquanto decorria o velório e recordavamos os tempos e as coisas que em conjunto haviamos feito. Hoje, a esta distância, tento imaginar o que alguém poderia então pensar de nós, enquanto riamos, dizendo adeus a um amigo que morria nas nossas vidas, mas não morreu nos corações e nas aventuras que protagonizamos depois.
Os anos passaram, muitos já, mas a ideia ficou sempre comigo. Pouco tempo depois destes acontecimentos, criámos num grupo de escuteiros, algo a que chamámos de Cavaleiros do Luar...
A ideia original assentava nas histórias dos cavaleiros da Távola Redonda e nas suas aventuras, dos códigos de honra e de conduta, nos segredos imtemporais que nos faziam sonhar. Fizemos uma mesa redonda também e dividida por todos quantos faziam parte deste grupo, cada um tinha um simbolo de cavaleiro e um brasão e nessa mesa, estavam representados todos os sonhos de então, que mais não eram que os desejos de futuro..."

Talvez seja, não mais que um sonhador, enraizado desde esses tempos e dessas ideias, talvez a minha educação e a forma como vivi a vida até hoje, não me deixassem esquecer os códigos de honra e de conduta e os principios morais com que me envolvo, qual mortalha de eternidade...
Creio que por isto prezo a amizade e a verdade e não me esconda dela nem dela fuja. Assumo os meus erros e também deles exijo o respeito. Mas sei também, que em mim existe algo com que não sei lidar. A hipócrisia. A dama politica que fascina e ilude. Que faz da mentira e da traição, verdades universais e medidas transversais.

Também por isto quis contar uma história que aconteceu de verdade. Para aqueles mais atentos que se dignem ler estas palavras. Uma história que vindo de um passado não muito distante mas sempre actual. Uma história que fala de pessoas, para as pessoas e com pessoas. Porque sendo este um espaço que criei para falar da minha profissão, falar para os amigos, em suma falar até para todos, porque hoje, mais que nunca, os principios de vida, morais e sociais, da minha história de infância, os sinto, hoje, no passar dos dias.

Hoje, sim, sinto que já não há objectivos para as pessoas, nem para os sonhos.
Hoje há numeros e estatisticas. Vejo as pessoas do meu dia a dia, morrerem um pouco todos os dias, sob a hipocrisia de, sem honra de, sem esperar nada de...
Lamento não saber como alterar isto que sinto e ao invés, trazer de novo um sorriso ás pessoas, vontade de gritar, de dar gargalhadas, mesmo quando a vontade era chorar, sem ter vergonha, nem medo, nem nada...

2 comentários:

Anónimo disse...

Oi,

Adorei a nova cara do blog, tá mais clean e continua com bom conteúdo. Vou passar por aqui sempre pra ir dar uma olhadinha.
Bjs

Gi

Salvador disse...

Como eu concordo contigo Amigo

1 abraço, podes contar com a minha força